
A Duffy existe há pouco tempo na minha vida, mas eu já acho, sem aquele medo de quem dificilmente fala sempre e nunca,que ninguém deveria morrer sem antes dar uma ouvida no álbum de estréia dela, o Rockferry. Tem nuances ora dançantes ora intimistas, mas sempre muito encaixadas, entendidas no conjunto ou não. Procure ouvir! As comparações com Winehouse são quase inevitáveis, já que ela também cheira – pare de interpretar no sentido literal – a século passado. Coisas bacanas do século passado, que fique claro!
A Isabel Allende é aquele tipo de escritora da qual muita gente já ouviu falar, mas, efetivamente, poucos leram. Pois deveriam. Depois de ter uma experiência bacana – sim, inegavelmente bacana, nada mais – com seu infanto-juvenil (a classificação é por minha conta) A Cidade das Feras ou La Ciudad de Las Bestias, ganhei A Casa dos Espíritos. Presente do caralho! Uma recomendação fácil para quem pensa que ninguém jamais se nivelará a García Márquez em matéria de realismo fantástico. Essa senhora rules e bota pá quebrá!
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Sempre tentei dar aos meus textos no Dois Na Contramão uma intimidade que, na maioria das vezes, não destino sequer àquele amigo de anos. Talvez por pensar que fosse uma maneira de torná-lo menos ordinário. Mas eu não quero mais que ele seja mais que isso. Quero buscar nele a beleza do trivial, do banal, da tranqüilidade. A partir de hoje, passo a empregar nele mais disso... essa coisa que não tem nome, nem cor. Quero descaracterizá-lo, caracterizá-lo outra vez e outras tantas quanto preciso for – dar um sentido mais fresco à contramão, ser o dono de todas as minhas verdades. Essa é uma delas e assim delibero.
E, se me perguntarem o que aconteceu este, que é quase esse, ano, não me recordarei de pronto de um quase-acidente de carro, de um amigo que magoei, dos filmes que deixei de assistir, dos poemas que surgiram e eu não escrevi, da ressaca moral após um semi-porre, das noites de saudade, dos beijos que não dei ou da beleza que não contemplei. Pelo contrário, só poderei me lembrar da linda cara de espanto que mirei quando o carro parou, dos amigos que fiz, das histórias de amor que deram certo, de como o sono às vezes era gostoso, do perdão, da felicidade matutina, do quanto valeu a pena arriscar, das menores e mais tranqüilas coisas.

O frio que envolve essa noite e o terrível silêncio que cobre a cidade fizeram, sorrateiros, com que eu percebesse quão cruel é a distância que nos separa agora. “Tenha bons sonhos”, digo, sem mover os lábios. “Volta, amor”, peço, sem a esperança de ser atendido pela brisa. Só o faço para liberar um pouco da porção de loucura que lateja, incontinente,
Mas hoje é noite do Menino. Certamente, ele nascerá com olhos tão belos quanto os seus. Consola-me a idéia de estar diante de um invisível e fascinante parto. O pequeno Deus escolhera vir ao mundo da maneira mais ordinária. Mesmo não entranhada a semente, prescindia os cuidados da mãe. E consola-me o fato de estares em meio aos teus, como um pequeno Yeshua. Num sorriso quase epifânico, desenho meu “Feliz Natal” na tela da noite. Com o coração cheio de saudades, porém forte o suficiente para esperar tua volta desejando tão somente a ti, lanço um beijo ao mesmo vento que me traz teu perfume.
Um feliz natal, plusamor.
Chorei lágrimas passadas ao saber da concepção da criança. Era, e é, fantástico demais imaginar que “de uns amigos em comum e uma vibração do bem” pudesse acontecer fato tão extraordinariamente incomum a um sujeito amarelo-manga como eu. Sorri eternidades nunca sonhadas. E aqui vim parar. Não que o aqui seja o mesmo de antes. Por suposto que não! É que agora “isso” transformou-se na maneira mais serena e completa de viver...
Obrigado pela gostosa sensação de chegar aos nove meses. Obrigado por esse “filho”. Prometo merecer um dia essa plusemoção. Não posso, por hoje, materializar a felicidade que sinto. Apenas imagine o brilho dos olhos de uma noite de mil estrelas. J t’m. E isso é tudo.

Às vezes, em nome de uma suposta dignidade, somos obrigados a amar